Casos reais de fake news e deepfakes


Conheça situações reais e compreenda como a desinformação pode afetar pessoas, instituições e a sociedade.

A desinformação pode assumir diferentes formas: textos enganosos,
fotografias manipuladas, áudios clonados, vídeos produzidos com
inteligência artificial e perfis que imitam pessoas ou instituições.
Os casos apresentados nesta página demonstram por que é importante
verificar a procedência de uma informação antes de acreditar nela
ou compartilhá-la.

Fake news e deepfake não são a mesma coisa

Fake news são conteúdos falsos ou enganosos apresentados
como informação verdadeira. Deepfakes são mídias sintéticas
ou manipuladas, como imagens, áudios e vídeos, frequentemente produzidas
com técnicas de inteligência artificial. Um deepfake pode ser usado para
desinformar, difamar, aplicar golpes ou produzir conteúdo sem consentimento.

Caso 1 — Áudio manipulado

Áudio falso atribuído ao prefeito de Manaus

Divulgação do caso: janeiro de 2024

Em dezembro de 2023, circulou em grupos de WhatsApp um áudio com
declarações ofensivas atribuídas ao prefeito de Manaus, David Almeida.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, a análise
inicial da Polícia Federal indicou que o conteúdo era uma montagem
formada por fragmentos de outros áudios e possíveis recursos de
inteligência artificial.

O que este caso ensina:
a voz aparentemente familiar de uma autoridade não é suficiente
para comprovar a autenticidade de um áudio. É necessário procurar
confirmações em canais oficiais e fontes jornalísticas confiáveis.

Fonte:

Prefeitura de Manaus

.

Caso 2 — Imagens manipuladas

Adolescentes responsabilizados por manipulação de imagens em Maceió

Divulgação do caso: julho de 2024

Uma investigação da Polícia Civil de Alagoas identificou adolescentes
envolvidos na criação de montagens de caráter sexual com imagens de
colegas de escola. Segundo a investigação, recursos de inteligência
artificial foram utilizados para produzir imagens falsas sem o
consentimento das vítimas, e havia intenção de comercializar o material
em redes sociais.

Os investigados foram apontados como autores de atos infracionais
análogos à divulgação de imagem pornográfica envolvendo adolescentes,
difamação em rede social e associação criminosa. Por envolver menores
de idade, o caso foi encaminhado às instituições competentes da área
da infância e da juventude.

O que este caso ensina:
manipular ou divulgar imagens íntimas sem consentimento causa danos
graves e pode gerar responsabilização. A imagem de uma pessoa deve
ser tratada com respeito, responsabilidade e proteção.

Fonte:

G1 Alagoas

.

Caso 3 — Clonagem de voz

Tentativa de fraude com voz semelhante à do CEO da Ferrari

Ocorrência: julho de 2024

Um executivo da Ferrari recebeu mensagens e uma ligação que pareciam
ter sido enviadas por Benedetto Vigna, diretor-executivo da empresa.
Durante a conversa, uma voz semelhante à do dirigente solicitava uma
operação financeira confidencial.

O funcionário desconfiou da solicitação e fez uma pergunta cuja resposta
dependeria de conhecimento pessoal. O interlocutor não respondeu
corretamente e encerrou a ligação, impedindo a continuidade da fraude.

O que este caso ensina:
solicitações urgentes, sigilosas ou financeiras devem ser confirmadas
por outro canal. Voz, fotografia e vídeo já não funcionam, isoladamente,
como provas suficientes de identidade.

Fonte:

MIT Sloan Management Review

.

Caso 4 — Falsa identidade e investimentos

Uso indevido da imagem de Elon Musk em golpes com criptomoedas

Registros divulgados a partir de 2021

Golpistas têm utilizado o nome e a imagem de Elon Musk para divulgar
falsas oportunidades de investimento em criptomoedas. Algumas versões
mais recentes desse tipo de fraude utilizam vídeos manipulados por
inteligência artificial para simular declarações e tornar os anúncios
aparentemente mais convincentes.

Em levantamento publicado em 2021, a Federal Trade Commission dos
Estados Unidos informou que consumidores haviam enviado mais de
US$ 2 milhões a imitadores de Elon Musk em aproximadamente
seis meses. No mesmo período analisado, quase sete mil relatos de
diferentes fraudes com criptomoedas totalizaram mais de
US$ 80 milhões em prejuízos.

O que este caso ensina:
a presença de uma personalidade conhecida em um anúncio não comprova
sua autenticidade. Promessas de lucro rápido, retorno garantido ou
urgência para investir são sinais de alerta.

Fontes:

Federal Trade Commission

e

WeLiveSecurity/ESET

.

Caso 5 — Desinformação em saúde

Fake news durante a pandemia de COVID-19

Período: pandemia de COVID-19

Durante a pandemia, circularam informações falsas sobre formas de
contágio, prevenção, vacinas, medicamentos e tratamentos sem eficácia
comprovada. Parte desses conteúdos utilizava linguagem alarmista,
testemunhos sem comprovação e referências indevidas a profissionais
ou instituições de saúde.

A desinformação em saúde é especialmente perigosa porque pode levar
pessoas a abandonar medidas de proteção, utilizar substâncias de forma
inadequada ou adiar a procura por atendimento profissional.

O que este caso ensina:
informações sobre saúde devem ser verificadas em órgãos oficiais,
instituições científicas reconhecidas e junto a profissionais
qualificados.

Fonte:

Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca — Fiocruz

.

Como se proteger

Interrompa a reação imediata.
Conteúdos que provocam medo, raiva ou urgência procuram reduzir
o tempo disponível para reflexão.

Confirme por outro canal.
Diante de pedidos de dinheiro ou informações sigilosas, entre
em contato utilizando um número ou endereço já conhecido.

Examine a fonte.
Verifique autoria, data, endereço eletrônico, contexto e se
outros veículos confiáveis publicaram a mesma informação.

Não amplifique a desinformação.
Não compartilhe um conteúdo duvidoso, mesmo com a intenção de
perguntar se ele é verdadeiro.

Nota editorial: os relatos foram sintetizados para fins
educativos. As informações refletem as fontes consultadas nas datas
indicadas. Nos casos que envolvem investigações, a responsabilização
definitiva depende da atuação das autoridades competentes.

Referências

BRAVO, Christian Ali.
Casos reais de golpes envolvendo deepfakes.
WeLiveSecurity, 11 set. 2025. Disponível em:

https://www.welivesecurity.com/pt/seguranca-digital/casos-reais-de-golpes-envolvendo-deepfakes/
.
Acesso em: 27 set. 2026.

FEDERAL TRADE COMMISSION.
Cryptocurrency buzz drives record investment scam losses.
Washington, D.C., 17 maio 2021. Disponível em:

https://www.ftc.gov/news-events/data-visualizations/data-spotlight/2021/05/cryptocurrency-buzz-drives-record-investment-scam-losses
.
Acesso em: 27 set. 2026.

FIOCRUZ. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca.
10 fake news que você precisa conhecer sobre a COVID-19.
Rio de Janeiro, 2020. Disponível em:

https://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/48548
.
Acesso em: 27 set. 2026.

GALLETTI, Sandra; PANI, Massimo.
How Ferrari hit the brakes on a deepfake CEO.
MIT Sloan Management Review, 29 jan. 2025. Disponível em:

https://sloanreview.mit.edu/article/how-ferrari-hit-the-brakes-on-a-deepfake-ceo/
.
Acesso em: 27 set. 2026.

G1 ALAGOAS.
Operação Deepfake: sete adolescentes são responsabilizados por manipulação de imagens em Maceió.
Maceió, 23 jul. 2024. Disponível em:

https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2024/07/23/operacao-deepfake-sete-adolescentes-sao-responsabilizados-por-manipulacao-de-imagens-em-maceio.ghtml
.
Acesso em: 27 set. 2026.

MANAUS (Município).
Jornal O Globo destaca caso de fake news com uso de IA contra prefeito de Manaus.
Manaus, 14 jan. 2024. Disponível em:

https://www.manaus.am.gov.br/noticia/noticia-tecnologia/jornal-o-globo-destaca-caso-de-fake-news-com-uso-de-ia-contra-prefeito-de-manaus/
.
Acesso em: 27 set. 2026.